sexta-feira, 30 de maio de 2008

A cena entrevista: Paulo Consentino




Falar sobre o papel da arte pode ser complicado, mas Paulo Consentino sintetiza muito bem o que pode ser a intenção ou o pilar artístico: comunicar.

Suas produções têm um ar perfeccionista. E ele, uma preocupação de fazer bem o que propôs. São muitas cores, em sua maioria, retratando temas populares como o futebol, cidade e a natureza, com a particularidade de não haver figura humana (há uma nobre exceção: link com ***).

Paulo percorreu alguns caminhos antes de chegar à cena em que se encontra atualmente e ressalva não estar preso a nenhum estilo para sempre. Hoje, seu trabalho envolve projetos de artes visuais em espaços públicos da cidade, como muros, gravuras digitalizadas entre outros.

A exposição atual encontra-se no Espaço Tremendão,
aproveitando para fazer uma pequena correção no endereço dito no podcast, o Espaço fica na R. Brás Cubas 404 (que é uma continuação da Washington Luiz), em Santos.


Saiba mais sobre Paulo Consentino:
http://www.pauloconsentino.com.br/
http://www.youtube.com/watch?v=l3T66eNJ6sg
http://www.youtube.com/watch?v=iibhdXoSlSU
http://www.youtube.com/watch?v=6SIaza2wRSc
http://www.youtube.com/watch?v=IWd-0eOKJ5w***
http://www.jornaldaorla.com.br/noticias_integra.asp?cd_noticia=2121



Entrevista exclusiva com Paulo Consentino:

video

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vira, Vira...


Centro de São Paulo. Caos. Gritos. “Tribos”. Velhos. Jovens. Iluminação. A explosão da arte, da cultura humana, paulistana e brasileira de uma só vez, em todo o canto que se olhava. Enquanto o velho novo Mutantes estourava saudades na incrivelmente lotada São João, logo ali, com a acústica protegida pelo Edifício Itália, Rogério Rochilitz afinava e desafinava num lindo piano de calda em show para poucos.
A diversidade enchia os olhos. Gente de muitos cantos. Jovens sem saber se olhavam para os palcos ou para a arquitetura da velha Sampa. Travestis e metaleiros se misturavam na República. O sol chegava ao pico do céu, os gramados cheios de cangas com a garotada, e os coroas - que, num tempo distante, posavam para as fotos enquanto estendiam bandeiras de contra-cultura - chegavam, sem mais deitar por cima do verde, só desviavam, calados. Metrô iluminado toda a madrugada; ah, se fosse sempre assim. Ônibus não, só depois das cinco.
Eu não sei se foi o clima da Virada Cultural, mas para tudo que eu olhava, via arte. Ela estava saltando das cores dos olhos e peles. Acredito que muito se perdeu, caso o cidadão tenha olhado somente para os holofotes. As galerias de arte, a Pinacoteca e os artesãos, índios urbanos. Cada um com sua galeria, de concreto ou de lona. Pintura em tela, em madeira, em papelão, em veludo, em papel aveludado. As gravuras não se contentavam em naturezas mortas, avançavam em borrões tão mais expressivos quanto dos grandes pintores contemporâneos. Esculturas pequenas de metal, postas estrategicamente no chão, confundiram-se com lixo e algém pisou nelas porque olhava para cima. “Blusa da Gal Costa, moça, baratinha! Se quiser, tenho uns artesanatos meus de brinde...” seduzia-me, um senhor barbudo e sujo.
Voltando para casa, num ônibus lotado, uns guris cantavam funk carioca e Pavilhão 9 (banda de rap paulista, homenagem ao famoso pavilhão do Carandiru). Dois começaram a discutir, diziam que se entenderiam na faca, logo mais, no ponto final. Foi o último espetáculo que assisti aquele dia.


Luciana Araújo
...



Ah se a todo o momento pudéssemos escolher, entre mil opções, o que ver. Mesmo que obviamente não concordamos com tudo que chamam de cultura, mas essa é a nossa parte mesquinha de classificar o que gostamos como, sempre, algo superior e rebaixar o resto. Às vezes é mesmo. Mas sejamos compreensíveis sócio-culturalmente. A massa agrada a massa, e o fermento precisa ser mexido com uma colher animada, de ritmos frenéticos.
Infelizmente a distância, o espaço, entre as apresentações culturais de nossa escolha, é maior que a quantidade de passos entre a São João e o Teatro Municipal, então, não ficamos perdidos quanto a escolhas, e nem mesmo temos muita opção, o que aparecer agarramos com unhas e dentes para não escapar. Compre, compre seus convites com antecedência que a oferta é pouca! Sempre assim...
Quando aparece a grande virada, é realmente motivo para não dormir, e o povo fica nervoso mesmo, é uma correria, uma ansiedade... que loucura, nas últimas horas da programação é briga, é falta de comida, fila, é o pé latejando. Ainda bem que é pela a música, válido.
Ah...o Teatro Municipal... Quem foi apenas pela oportunidade de conhecer a beleza das internas, saiu inebriado, flutuante, diante da qualidade surrealista das apresentações. Só a lembrança retoma a vontade de aplaudir de pé. E salve os Paulos! Vanzolini, César Penheiro!
Talvez seja esse o caminho, dar esse boom cultural para balançar a atenção. O que não ficou claro é que cultura não pode ser tratada como entretenimento. E por favor, não vamos consumir como.



Thâmara M.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O romantismo do não-controlar


Ontem revi um filme. Talvez seja um dos mais importantes dos anos 90 e, provavelmente, será para todo o sempre atual.
É incrível como as impressões se transformam. Os bons filmes deveriam ser vistos pelo menos em quatro momentos da vida. Meu segundo ato fez daquele um outro. Além da demanda de violência e matança desenfreada, a clareza do óbvio ganhou contorno de romantismo, de esperança fora do condicionamento. Então, relembramos que a poética que faz sentido nem sempre é bonita e muito menos tem rima. Há certa agonia sim, um desconforto com o conforto que temos, é desesperador, falso. Tempos em que a violência torna-se a forma mais vital de estar vivo, e banalidade é transformar tudo em talk-show.
Em cinema isso fica mais evidente, talvez. A intenção mais bacana da arte é aquela que de tão intensa se faz mutável.
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.procurem: Assassinos por natureza
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.Thâmara

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Digam "olá" ao vovô Rockie

"Sem nenhum som você está me chamando, e eu não acho isso muito justo”

“Without a sound you're calling me, and I don't think it's very fair” (I bet that you look good on the dancefloor, Artic Monkeys)

Escutamos histórias contadas antes de irmos dormir sobre uma época mágica em que jovens se levantavam das salas de jantar e pulavam as janelas para gritar, espernear, lutar contra hipocrisia e apatia. Era preciso mudar o mundo. Eles balançavam suas cabeças, amorteciam os nervos e turbinavam os sentidos. Havia alguma esperança, mesmo sem perspectiva de vida. Sim, havia uma chance.
A arte do rock´n roll. Obscena, de Elvis Presley. Assassina, do The Clash. Demoníaca, do Black Sabbath. Revoltada, dos Mutantes. Suicida, do Nirvana. Ficaríamos horas tricotando os adjetivos da arte de roquear, e isso seria inútil e injusto já que não sabemos se nós, pobres almas com menos de 3 décadas nas costas, somos dignas de tal honra.
É que dizem as más línguas que o rock morreu junto com o punk. Outras falam que ele foi enterrado com Kurt Cobain. Para não haver empate há a crença de seu óbito ter sido a partir do momento em que Ozzy (e a família Osbourne) e Alx Rose deixaram de ser rock stars para virarem piada.
Não, o rock não está morto. Independente da sua qualidade, não podemos ignorar o hard core, o indie, o pop punk, o emo, o eletro punk, ou qual for a inovação artística que temos nos tímpanos.
Apesar disso não há mais glamour, nem histórias de revolução ou mesmo história de ideologias, como em seus tempos áureos. Como pode esse tal de roqueirol sobreviver ? Ele está fora de moda. Além disso, para praticar essa arte não é mais preciso ir contra nada que esteja fora de seu umbigo, nem mesmo ter idéias próprias. Você pode dizer que não é necessário ser "anti" para fazer rock mas, primeiro, recapitule o nosso tricô de adjetivos no início dessa conversa. Agora, se lembre dos artistas rockers vivos que estendem a bandeira punk, mas fazem exibições milionárias em reality shows ou propagandas da marca do capitalismo gaseificado. Aqui temos que lembrar e aplaudir os srtey edy por suas batalhas contra carne?
O círculo - que antes fora quebrado - se estreita. Não vemos quem supere Raul Seixas, e o Ira nunca mais será o mesmo. Existirá tamanha audácia como God Save The Queen, dos Pistols, outra vez? A década de1960 parece ter acontecido há 10 mil anos atrás...
A opinião que domina é a de que as gravadoras e a mídia ditam a regra. A arte de fazer rock é obra delas, agora? Pode ser, mas houve a explosão da internet, e o que temos hoje não é só anarquismo para o consumo de música como também a liberdade de se criar e veicular o seu som com independência comercial. E pense na velocidade desse processo: nosso querido vovô rockie aumenta a família a cada piscadela. Em uma bem feita melodia encaixa-se uma letra quase invisível, como o hard rock, mas é outra coisa. Num arranjo bagunçado uma letra arrepiante, como o punk, mas tem outro tom.
Deuses não morrem. Perdem publicidade, mas nunca o brilho. Talvez essa geração da década de 80, que nasceu junto com uma das supostas mortes do rock, nunca saiba o que significa um grande festival. Mas podem lambuzar suas mãos e criarem o que quiserem com inúmeras influências e nada na cabeça. Bem, com sorte terá alguma idéia a ser vomitada, mas se têm azar ou não já é outra história.



Luciana Araújo

terça-feira, 1 de abril de 2008

Suas impressões dependem de seus conceitos? Ou sempre temos um dicionário para determinar tudo?

Arte
do Lat. arte
s. f.,
conjunto de preceitos ou regras para bem dizer ou fazer qualquer coisa;
tratado, livro que contém esses preceitos;
artifício;
ardil;
faculdade;
talento;
habilidade;
ofício;
profissão;
indústria;
diabrura.
- abstracta: arte que procura representar a realidade abstracta e não as aparências da realidade tangível;
- maior: utilização do verso de nove sílabas com acento na 3ª, 6ª e 9ª sílabas;
- figurativa: arte que retrata, de qualquer forma, alterada ou distorcida, coisas perceptíveis no mundo visível;
nobre -: pugilismo;
sétima -: cinema;
-s liberais: as que dependem essencialmente da inteligência e do estudo;
-s mecânicas: as que dependem do trabalho manual ou mecânico;
Belas-Artes: as que exprimem o sentimento estético, tais como a arquitectura, a escultura, a pintura, a música e a poesia;
-s mágicas: magia;
malas -s: manhas delituosas, ardis pouco claros.


Sob
do Lat. sub
prep.,
debaixo de;
no tempo;
no governo de.

Sobre
do Lat. super
prep.,
em cima de;
depois de;
além de;
acerca de;
s. m., Náut.,
(no pl. ) designação geral dos mastaréus, vergas, velas, brandais e estais de sobrejoanetes.

Pressão
do Lat. pressione
s. f.,
acto ou efeito de apertar ou de comprimir;
força que actua sobre uma superfície;
Fís.,
grandeza física definida pelo quociente entre a força e a área da superfície onde essa força se exerce;
fig.,
coacção;
violência;
influência que coage.
Repressão
re.pres.são s f (lat repressione)
1 Ato ou efeito de reprimir; coibição, proibição. 2 Conjunto de medidas violentas, tomadas pelo governo, contra abusos ou delitos, públicos ou particulares. 3 Psicol Processo pelo qual lembranças e motivos são impedidos de atingir a consciência, continuando, no entanto, a operar subconscientemente; é conceito fundamental na psicanálise.